Cirurgia para correção da apneia obstrutiva do sono

apneia

A apneia obstrutiva do sono acontece pela obstrução das vias aéreas superiores durante o sono. A falta de ar causada por essa obstrução provoca um estímulo cerebral que faz o paciente despertar para reiniciar o processo respiratório. Como consequência, o sono não é reparador e o paciente pode ter sintomas como acordar já cansado, falta de atenção e dificuldade de concentração, além da sonolência diurna. A apneia também está associada à ocorrência de hipertensão, doença arterial coronária, derrame, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, impotência sexual, mortalidade e problemas cognitivos e de comportamento. Por ser um quadro complexo e trazer uma série de consequências para a saúde, é também chamada de síndrome da apneia do sono (SAOS).

 

PRINCIPAIS SINTOMAS

Principais sintomas

  • Roncos com pausas respiratórias;
  • Sonolência diurna;
  • Respiração ofegante ou asfixia durante o sono;
  • Sono agitado;
  • Confusão mental;
  • Dificuldade de concentração;
  • Perdas de memória;
  • Irritabilidade;
  • Pressão alta;
  • Dor no peito durante a noite;
  • Depressão;
  • Dor de cabeça ao amanhecer;
  • Redução da libido;
  • Idas frequentes ao banheiro para urinar durante a noite.

 

Se você apresenta diversos sintomas da SAOS é importante consultar seu cirurgião bucomaxilofacial para realizar exames e obter um diagnóstico preciso. O cirurgião analisará seu histórico médico e examinará sua cabeça e seu pescoço em busca de fatores que estão contribuindo para a perturbação do sono. Ao suspeitar da SAOS, o cirurgião solicitará um exame de polissonografia, teste especial feito durante a noite para monitorar seu padrão de sono.

 

CAUSAS DA APNEIA

A apneia ocorre pela obstrução das vias aéreas superiores, que pode ser consequência do excesso de tecido, com amígdalas e/ou língua volumosa, ou quando

os músculos das vias aéreas relaxam e colapsam durante o sono, impedindo a passagem do ar.

 

RONCO X APNEIA

Embora possam estar associados, nem sempre a apneia vem acompanhada de ronco. Estudos mostram que 40% dos adultos com mais de 40 anos roncam. Dentre aqueles que roncam, pelo menos 17% dos homens e 15% das mulheres sofrem da síndrome da apneia do sono.

 

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Apenas o exame de polissonografia pode indicar a presença dessa síndrome. A condição pode ser tratada por modificações de comportamento, como perda de peso, prática de exercícios físicos, mudança de posição para dormir, mudanças na alimentação e uso de sedativos. Para casos leves a moderados, podem ser indicados os aparelhos bucais que posicionam a mandíbula e a língua de modo a impedir a obstrução. Estudos mostram que 52% dos pacientes conseguem controlar o quadro com o uso de aparelhos intrabucais.

 

Para casos moderados a severos, o uso do C-PAP e do BI-PAP pode ser a melhor alternativa. Esses aparelhos permitem o constante fluxo de ar sob pressão nas vias respiratórias, que são direcionadas por meio de uma máscara nasal. Em poucas noites de adaptação, o paciente já começa a se sentir confortável em usar o aparelho e pode experimentar um sono de melhor qualidade.

 

As soluções cirúrgicas também estão disponíveis para os pacientes, são uma alternativa ao uso do C-PAP e consistem em plásticas nas vias aéreas de modo a evitar seu colapso durante o sono.

 

CIRURGIA BUCOMAXILOFACIAL PARA SAOS

As opções cirúrgicas para o tratamento da SAOS não são universalmente bem-sucedidas, mas constituem uma opção importante para a eliminação de fatores anatômicos causais. Cada paciente tem um formato de nariz e de garganta e, portanto, é importante que o cirurgião meça as vias aéreas em diversos pontos e examine se há algum fluxo anormal de ar do nariz aos pulmões.

 

  • 1. Cirurgia do palato mole

Se a via aérea colapsa no céu da boca, a uvulopalatolaringoplastia pode ser útil. Esse procedimento é realizado no fundo do céu da boca e da garganta e é uma opção para os pacientes incapazes de tolerar o C-PAP, pois encurta e endurece o céu da boca, reduzindo suas bordas e removendo a úvula. Essa cirurgia pode ser feita com auxílio de laser e de sonda de radiofrequência e costuma ser realizada no consultório sob branda sedação intravenosa. Em casos mais graves, é realizada sob anestesia geral em cenário hospitalar.

 

  • 2. Avanço do genioglosso

Esse procedimento abre a via aérea superior ao comprimir a parte frontal do tendão da língua, reduzindo o grau de deslocamento da língua dentro da garganta. Em geral, é realizado associado à uvulopalatolaringoplastia ou à suspensão do osso hioide.

 

  • 3.Suspensão do hioide

Se o colapso ocorre na base da língua, o osso hioide pode ser suspenso. Ele se liga à base da língua e a outros músculos e tecidos ao redor da garganta. O procedimento liga o hioide à cartilagem tireóide e ajuda a estabilizar essa região da via aérea.

 

  • 5. Cirurgia de avanço maxilomandibular

Semelhante à cirurgia ortognática, mas com foco na expansão das vias aéreas. É a opção mais eficaz para o tratamento da SAOS e deve ser realizada em hospital sob anestesia geral e requer internação. Essa cirurgia é indicada quando o paciente não tolera o uso de aparelhos bucais ou C-PAP, ou quando o cirurgião determina que as outras alternativas de tratamento são comprometidas por outras questões.

 

  • 6.Traqueostomia

Procedimento que abre uma via aérea permanente por meio de uma incisão na traqueia. É uma cirurgia para pacientes em estado de urgência.