Cirurgia dos tumores de boca e face

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Os tumores de boca e face necessitam de diagnóstico histopatológico e exames imagiológicos que permitem o adequado planejamento da abordagem necessária.

Tumor é a denominação genérica para qualquer tipo de massa em crescimento no corpo humano. Quando benigno, esse crescimento tecidual é composto por células normais e está restrito por uma cápsula, não invadindo os tecidos adjacentes. Tumores benignos serão removidos cirurgicamente em sua totalidade e o paciente se recuperará com tranquilidade. O crescimento tecidual maligno, por sua vez, é o que chamamos de câncer. As células de uma região sofrem mutações e passam a se multiplicar de forma descontrolada, formando uma massa tecidual de crescimento desordenado composta por células anormais. Essa massa invade os tecidos adjacentes e suas células anormais podem afetar tecidos à distância, pois podem se disseminar através da corrente sanguínea e do sistema linfático. Tumores malignos serão removidos em sua totalidade, quando possível, somados a uma área de tecido aparentemente normal circundante. Em casos de detecção precoce, a cirurgia de remoção basta. Quando o tumor já realizou alguma expansão, é necessário o tratamento quimioterápico e/ou radioterápico, antes e/ou após da cirurgia.

Além do tratamento curativo com a remoção da lesão, também é desejável a manutenção da estética e da função; assim, podem ser associadas técnicas de reconstrução facial.

CÂNCER BUCAL

O câncer bucal pode atingir todas as estruturas da cavidade oral, como mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua oral e assoalho da boca, além dos lábios. Além disso, pode se desenvolver a partir dos ossos maxilares (maxila direita, maxila esquerda e mandíbula).

FATORES DE RISCO

O câncer labial é mais comum em pacientes brancos que exercem atividades rotineiras de exposição solar desprotegida, como carteiros, caminhoneiros, ente outros. Já os tumores malignos da cavidade oral são mais comuns em pacientes tabagistas (cigarro e cachimbo) e/ou etilistas (principalmente bebidas destiladas) acima de 40 anos.Também são associados ao risco aumentado de câncer bucal a má higiene oral e o uso de próteses mal adaptadas.

Essa doença acomete mais os homens e as regiões mais comuns são lábio inferior, assoalho da boca e bordas laterais da língua.

SINTOMAS

O câncer bucal pode ser identificado como ulcerações (feridas) que não cicatrizam, ulcerações superficiais indolores que sangram ou não ou manchas esbranquiçadas ou avermelhadas em alguma região da cavidade oral ou dos lábios. Em geral, são lesões não uniformes e o tecido ao seu redor está endurecido.

 

Quando as lesões avançam, passa a haver dificuldade para falar, mastigar e engolir, dor e aumento dos gânglios cervicais. No caso de câncer maxilar ou mandibular, o paciente perceberá um aumento de volume rápido em alguma região da face, com possibilidade de dor e amolecimento de alguns dentes.

 

Se você notar qualquer alteração bucal, procure seu cirurgião para avaliação o mais rápido possível.

 

TRATAMENTO

O tratamento do câncer bucal varia de acordo com a localização do tumor, a extensão dos danos causados por ele e a possibilidade das perdas funcionais que o tratamento pode vir a causar.

Quando as lesões são iniciais, o tratamento pode alcançar bons resultados apenas com quimioterapia, radioterapia ou cirurgia, pois a lesão está restrita ao seu local de origem e ainda não causou danos maiores.

 

Se as células do tumor alcançaram os gânglios do pescoço, o prognóstico é pior, sendo indicado o esvaziamento cervical, ou seja, retirada de todos os gânglios linfáticos da região do pescoço, além de radioterapia.

 

Quando o diagnóstico da lesão é tardio, a cirurgia é bastante agressiva e radical, afetando a qualidade de vida do paciente por suas perdas funcionais e estéticas. Hoje, há técnicas de reconstrução imediata e enxertos que podem minimizar as sequelas do tratamento.

PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO PRECOCE

O sucesso do tratamento do câncer bucal depende do estágio em que o tumor foi diagnosticado. Lesões iniciais têm altas chances de cura, com poucas ou nenhuma sequela para o paciente, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.

Para prevenir o aparecimento de lesões malignas, os pacientes devem abandonar os vícios nocivos, como o fumo e o álcool, principalmente após os 40 anos de idade, e adotar um estilo de vida mais saudável, com uma dieta rica em vegetais e a prática de exercícios físicos.

Para evitar o câncer labial, os pacientes devem incorporar o uso de protetor solar ao seu cotidiano, além de abandonar o cigarro.

 

É importante que sejam feitas visitas periódicas ao cirurgião-dentista para a avaliação dos dentes e da mucosa, pois esse profissional está habilitado a detectar e diagnosticar possíveis lesões em seu início. Além disso, é importante que o paciente aprenda a se observar periodicamente, realizando um autoexame atento para identificar possíveis anormalidades e procurar um profissional de sua confiança para uma avaliação.